A PESSOA DE CRISTO
A palavra Cristo vem do grego Christos, e
significa o Ungido, nome este aplicado ao Nosso Senhor Jesus de Nazaré, o
Salvador do mundo e fundador do cristianismo.Nosso Senhor Jesus Cristo esta
ligado a duas naturezas a divina e a humana, mas permanece uma só pessoa. O
Filho que é o Verbo do Pai, o próprio e eterno Deus, tomou a natureza humana de maneira que Cristo
possui duas naturezas distintas e perfeitas, sendo verdadeiro Deus e verdadeiro
homem.
Consideremos o assunto:
a)
A
humanidade de Cristo;
b)
A
divindade de Cristo;
c)
A
união destas duas naturezas em uma só pessoa;
A HUMANIDADE DE CRISTO – Os gnósticos foram
os primeiros que se opuseram a realidade da natureza de Cristo, ensinando que a
divindade entrou em Jesus durante o seu batismo e saiu na véspera da sua
paixão. Contra os erros desses hereges foi escrita a primeira epístola de João.
A objeção deles baseia-se num princípio da filosofia dos antigos gregos, de que
a matéria esta inseparavelmente relacionada com o mal.
Marcião em meados 2º século sustentou que
Cristo em lugar de nascido de mulher, desceu com aparência de um corpo humano a
Cafarnaun, para anunciar aos homens a existência do principio do bem, até então
desconhecido, dizia que o corpo de Jesus não era real, não passando de um
fantasma ou sombra e que Jesus usava para falar com os homens.
Eutíquio – caiu no mesmo erro ensinando que a
humanidade de Cristo foi absolvida na divindade e que seu corpo não tinha
existência real.
Apolinario rejeitou a existência de uma alma
humana em nosso Salvador e ensinava que a divindade supriu o lugar dela, tanto
um como os outros negaram a própria humanidade de Cristo. Nós acreditamos na
plena humanidade de Jesus, cremos que ele possuía um corpo e uma alma realmente
humana sendo confirmada em diversas passagens da Biblia:
a)
Sendo
que oitenta e uma vezes ele é chamado “Filho do Homem” . Paulo falando dele
disse: “...nascido de mulher” (Gl 4.4), “ E, visto como os filhos participam da
carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas “Pelo que convinha
que em tudo fosse semelhante aos irmãos (Hb 2. 14,17).
b)
Tambem
naquelas passagens que falam do desenvolvimento, desejos e experiências físicas
de Jesus. “E crescia Jesus em sabedoria e e em estatura” (Lc 2 52, “...depois
teve fome”. (Mt 4.2) “...tenho sede”(Jo 19.28) “ Jesus pois cansado do
caminho..” (Jo 4.6) “ Jesus chorou” (Jo 11.35). Todos estes detalhes ,
juntamente com a morte eo sepultamento dele confirmam que ele possuía um corpo
suscetível as mesmas experiências que nós temos.
c)
Jesus
possuía uma alma humana, sendo que uma alma humana consiste em sensibilidade,
entendimento e vontade, Jesus possuía uma sensibilidade finita como qualquer
outro homem, “...porem como nós em tudo foi tentado, mas sem pecado” (Hb 4.15),
os únicos canais pelos quais as tentações pode chegar a alma humana são: pelos
apetites carnais; pela imaginação que leva à presunção e ao fanatismo; pela
ambição pessoal; Jesus foi sensível a todos esses canais e por isso em tudo foi
tentado como nós como vemos em Mateus cap 4, sendo que a divindade dele não
poderia ser tentada por estas coisas “Porque Deus não pode ser tentado pelo
mal” (Tg 1.13), outro detalhe da sensibilidade humana de Jesus foi o fato de
que ele sentiu tristeza e angustia, na noite em que foi entregue, disse; “ A
minha alma está cheia de tristeza até a morte” (Mt 26.38) e (Is 53.10-11), da
mesma forma tinha entendimento humano, “E crescia Jesus em sabedoria e em
estatura, e em graça para com Deus e os homens” (Lc 2.52) esta passagem não
pode ser aplicada ao seu entendimento e sabedoria divina porque Deus é
onisciente e não precisa crescer e desenvolver-se. No mesmo sentido Jesus
revela seu entendimento humano quando diz: “ Mas naquele dia e hora ninguém
sabe, nem os anjos que estão no céu, nem o Filho, senão o Pai” (Mc 13.32),
Jesus também possua vontade humana, ainda que esta tenha sido sempre sujeita a
vontade divina. “Porque não busco a minha vontade, mas a vontade do meu Pai que
me enviou” (Jo 5.30); “Porque eu desci do céu, não para fazer a minha vontade,
mas a vontade daquele que me enviou” (Jo 6.38), concluímos que Jesus tinha um
corpo real e uma alma humana.
Apesar disso, a
humanidade de Cristo seria de pouco valor se ele fosse somente homem. Ele
também é Deus. Nós adoramos a um Cristo vivo, Cristo é mais do que um homem, e
por isso o cristianismo não é um sistema filosófico nem de cultos a heróis.
Cristo poderia ter tido um nascimento sobrenatural, vivido uma vida perfeita,
ressuscitado dos mortos, e ter sido um simples homem, porem extraordinário,
Cristo com tudo é mais do que homem.
A DIVINDADE DE CRISTO
– Antes de apresentarmos as provas sobre a divindade de Cristo faremos algumas
observações: socinianismo, arianismo e trinitarianismo.
a)
Socino
ensinava que o Salvador começou a sua existência ao nascer de Maria e por
conseguinte era um mero homem, se bem que possuído de santidade e excelência
extraordinárias.
b)
Arios
ensinava que Jesus era o primeiro e o mais exaltado dentre os seres que Deus
criou em qualquer tempo, mas que apesar disso foi criado.
c)
Os
trinitários ao contrario, ensinam que Jesus possuía duas naturezas distintas: a
humana nascida de Maria e crucificada na cruz e a divina unida com a humana.
Nos Evangelhos ao
contrario temos uma imagem viva, completa e perfeita em todas as suas situações
possíveis, interior e exterior, porem cada traço, cada pequena diferença desta
imagem arranca-nos admiração e leva-nos a adorar Jesus em toda a sua triunfante
majestade.
a)
As
Obras
b)
Os
títulos,
c)
As
honras atribuídas a Jesus Cristo nas Escrituras
As Obras – imputadas a Jesus são tão
grandiosas que só podem ser realizadas pelo Altíssimo Deus, e por isso
concluímos que Jesus Cristo é o verdadeiro e eterno Deus. A Criação é atribuída
a Jesus Cristo mostrando assim que os escritores inspirados o consideraram
Deus, “No principio era o Verbo e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.
Ele estava no principio com Deus. Todas as coisas foram feitas por ele, e sem
ele nada do que foi feito se fez. [...] estava no mundo, e o mundo foi feito
por ele, e o mundo não o conheceu” (Jô 1.1-3,10,11). “O qual é a imagem do Deus
invisível, o primogênito de toda a criação. Porque nele foram criadas todas as
coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis, sejam tronos, sejam
dominações, sejam principados: tudo foi criado por ele e para ele. E ele é
antes de todas as coisas, e toda as coisas subsistem por ele” (Cl 1.15-17). Os
milagres atribuídos a Jesus no Novo Testamento também demonstram que ele é
divino. Os ventos e o mar lhe obedecem. Os enfermos foram curados, os mortos
foram ressuscitados por sua palavra, e toda a natureza mostrou – se sujeita a
sua autoridade divina. Ele realizou tudo isso por sua própria autoridade e
vontade. O juízo final é uma atividade própria de Deus, mas também Cristo
julgara os vivos e os mortos. Paulo disse a Timóteo: “Conjuro-te pois diante de
Deus e do Senhor Jesus Cristo que há de julgar os vivos e os mortos, na sua
vinda e no seu reino” (2Tm 4.1). Este e muitos outros textos provam abundantemente
que Jesus Cristo será o juiz do ultimo dia. Portanto, ele exercerá um papel
próprio de Deus, o que prova mais uma vez sua plena divindade. As atividades de
criação, realização de milagres e juízo são predicados de Deus.
Os títulos: Como as Escrituras Sagradas
afirmam que Jesus Cristo também as realizou ou as realizaram, evidencia-se com
isso que ele é Deus. O nome Jeová é identificado com Cristo em Isaias. “Voz do
que clama no deserto: Preparai o caminho do Senhor; endireitai no ermo vereda a
nosso Deus” (Is 40.3). Mateus cita esta passagem e a aplica a Jesus Cristo:
Porque este é o anunciado pelo profeta Isaias, que disse: “Voz do que clama no
deserto: preparai o caminho do Senhor, endireitai as suas veredas” (Mt 3.3). O
nome Jeová era o mais excelente de todos os nomes de Deus e foi atribuído a
Jesus Cristo. Cristo é chamado Deus nas Escrituras Sagradas (Jo 1. 1,14) , (1Tm
3.16). Incrível porém é que todos estes argumentos sejam rejeitados por alguns
eruditos, os quais alegam que homens ou inteligência criadas são as vezes
chamados deuses nas Escrituras. Para estes replicamos que em todos os lugares
onde o termo Deus é atribuído aos seres criados, o sentido é inferior ou
figurado. O sentido figurado em que a palavra Deus é empregada é tão claro no
contexto que ninguém pode ser enganado. Ao contrario, os títulos atribuídos a
Cristo não podem ser usados em sentido inferior ou figurado, e demonstram clara
e concludentemente sua real divindade.
Eternidade é atribuída a Cristo nas
Escrituras “E tu Belém Efrata, posto que pequena entre milhares de Judá, de ti
me será o que será Senhor me Israel, e cuja saídas são desde os tempos antigos,
desde os dias da eternidade” (Mq 5.2). Miquéias proferiu esta profecia 110 anos
antes do nascimento de Jesus, e é citada no Evangelho de Mateus como cumprida
em Jesus Cristo (Mt 2.6). Como só Deus possui a eternidade, conclui-se que
Jesus Cristo é Deus, por ser eterno.
Jesus possuía onisciência, conforme vemos nas
seguintes passagens bíblicas. “Mas o mesmo Jesus não confiava neles, porque a
todos conhecia; e não necessitava de que alguém testificasse do homem, porque
ele bem sabia o que havia no homem” (Jo 2.24-25) . (Jo 6.64), Nestes textos fica claro que Jesus Cristo é
onisciente, um atributo, exclusivo de Deus.
Cristo possuía imutabilidade que se vê
claramente na passagem bíblica: “Jesus Cristo é o mesmo ontem, e hoje, e
eternamente” (Hb 13.8)
A onipresença de Jesus Cristo é ensinada nos
seguintes textos: “ Porque onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ai
estou eu no meio deles” (Mt 18.20); (Mt 28.20);
(Jo 3.13).
Jesus Cristo possuía também o atributo da
onipotência: “ E chegando-se Jesus, falou-lhes, dizendo: É-me dado todo poder
no céu e na terra” (Mt 28.18).
Os atributos da Sabedoria, Santidade,
Verdade, Justiça, Bondade, etc..; também pertencia a Jesus Cristo
A UNIÃO DAS DUAS NATUREZAS EM UMA SÓ PESSOA:
Vamos agora considerar a união dessas duas naturezas, a humanidade e a
divindade em uma só pessoa. Não há em Jesus qualquer confusão das duas
naturezas. Isto evidencia-se pelo modo absoluto como ambas são apresentadas na
Escrituras . Sua divindade não ficou reduzida por ter-se unido com um corpo
humano, porque ele é o verdadeiro Deus. Sua humanidade, enquanto esteve na
terra, não foi exaltada com qualidades que a tornassem diferente dos outros
seres humanos. Se a divindade e a humanidade estivessem nele misturadas e
confundidas, em tal caso ele teria sido um ser composto, nem Deus nem homem.
Mas a ele nada faltava, nem à sua humanidade, nem à sua divindade. Ele é Cristo
o Verbo encarnado. A unidade de ambas em uma só pessoa é a única chave para
entendermos a doutrina neotestamentaria de que o Senhor Jesus é ao mesmo tempo,
verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Os céticos perguntam: se Jesus Cristo fosse
verdadeiro Deus, como podia ele nascer e morrer? Crescer em sabedoria e
estatura? Ser ele sujeito a Lei? Ser tentado? Como precisou de oração? Como a
sua alma poderia ser desamparada por seu Pai? Como pode remir a Igreja com o
seu próprio sangue? A resposta para estas questões é: Ele também foi homem. Por
outro lado, causa muita admiração que um homem comum pudesse curar doenças com
a sua vontade, e sem apelar a qualquer poder mais alto, como Cristo fazia
muitas vezes. Acalmar os ventos e as ondas, prever sua própria morte, perdoar
pecados ser exaltado sobre toda criatura no céu e na terra, estar presente onde
quer que estejam reunidos dois ou três em seu nome, estar com seus discípulos
até a consumação dos séculos, reivindicar homenagem universal e que toda
criatura dobrasse ao seu nome os joelhos, possuir os atributos de Deus. Como se
explica tudo isto com relação a Cristo? A explicação é que Cristo é Deus. A
união das duas naturezas em Cristo chama-se na teologia união hipostática. Isto
significa que a união não é uma mistura, e que o resultado é uma unidade
pessoal. Há uma pessoa quem pertence tantos os atributos divinos como os
humanos, ou seja:
·
Ele
tinha uma natureza humana completa, isto é, um corpo real e uma alma racional.
·
Tem
uma natureza divina verdadeira. É Deus.
·
Estas
naturezas coexistiam inteiras e distintas, sem mistura ou confusão.
·
Ele
é uma só pessoa.
Embora tenha duas naturezas e uma única
personalidade, é a mesma pessoa divina que existe desde toda a eternidade, que
se fez carne, a qual é Cristo, verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Ele
efetivamente sofreu, foi crucificado, morto e sepultado para reconciliar-nos
com seu Pai. Este Cristo verdadeiramente ressuscitou dos mortos, tomando outra
vez o seu corpo (agora glorificado) e subiu aos céus, e ali está assentado no
trono, até voltar para julgar os vivos e os mortos no dia do Juízo Final. (Cl
1.15 ao 22); (Hb 1.1-3)
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